Lyoto Machida fez carreira no MMA com base em um estilo adaptado do caratê e muitos requintes de quebra-cabeça. Demorou um bocado para alguém decifrar o padrão de movimentação evasiva diferenciado e achar um antídoto eficaz contra o timing preciso ao extremo de contragolpes.
Os resultados milimétricos fizeram o nome do Dragão como um dos maiores estrategistas do mundo das artes marciais mistas, e lhe garantiram o cinturão dos meio-pesados do UFC, em 2009. Mas o combate contra Phil Davis, no coevento principal do UFC 163 (Rio), pela primeira vez trouxe um tipo de inversão de papéis, que acabou bastante indigesto. O brasileiro se mostrou mais incisivo no começo. Viu o adversário girar, girar e apostar na dinâmica de golpes para agregar vantagens gradativamente.
Eventualmente, a tática pessoal do carateca sempre se mostrou suscetível a gerar controvérsias e sair pela culatra. Contra Davis, foi a primeira vez em que Machida encarou o próprio jogo de paciência... ou mesmo o próprio veneno.
Durante o combate, o norte-americano ainda apostou em quedas pontuais no final de cada round do combate, para convencer mais os árbitros estrangeiros, e culturalmente favoráveis a qualquer manobra de wrestling apresentada como diferencial para a pontuação geral.
De forma geral, é complicado crer que um par de quedas possa anular as vantagens de tentativa/acerto de golpes, pendentes para Machida por praticamente todos os sites especializados em estatísticas de luta.
Phil Davis foi decretado vencedor na 'guerra do mais convincente', mas se o resultado fosse dado a Machida não seria nada de outro mundo também.
Mas aí a coisa descamba para a margem interpretativa, sempre passível de erros, acertos e pataquadas. Ainda mais quando se tem de julgar dois caras que optaram pelos contra-ataques como fórmula básica de luta e usaram muita movimentação para escapar das ofensivas rivais. Quando o panorama pende para o subjetivo sempre acontecem surpresas, e nem sempre as mais digeríveis.
É como em um pênalti ou falta polêmica no futebol, em que o veredicto tem de ser dado em cima da pinta pelos mediadores. Assim, entre tantas indagações, fica a principal: Machida perdeu para os árbitros ou para o próprio estilo no octógono do HSBC Arena?
Opiniões aí embaixo.

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